Tema Redação Enem 2017: educação de surdos no Brasil

educaçao de surdos no brasil

Confira uma redação do Enem 2017 sobre o tema “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil” escrito pela Professora Marina Rubini

Título: A escola, as Libras, um Brasil de inclusão

Pela Constituição Brasileira, Carta Magna do país, o acesso à saúde, a educação e a segurança são direitos invioláveis. Assim, todos os cidadãos a partir dos 5 anos de idade devem frequentar a escola. A escola brasileira, porém, apresenta algumas limitações. Limitações em sua estrutura física, em que faltam rampas de acesso e elevadores para deficientes físicos, como cadeirantes, faltam professores-tutores para aqueles que possuem transtornos de desenvolvimento como o autismo e também faltam profissionais especializados e métodos educacionais que contemplem às necessidades dos deficientes auditivos.

A deficiência auditiva não é rara como se pensa. Existem milhares de famílias brasileiras que diariamente vivenciam o drama da falta de inclusão. Os surdos são indivíduos com uma deficiência que impossibilita a comunicação da maneira como se conhece, mas que podem viver uma vida absolutamente normal se pequenos ajustes forem realizados. Um exemplo claro é o sistema de Libras, conhecida popularmente como linguagem de sinais. Através de sons, movimentos labiais e gestos manuais, o indivíduo entende e se faz entender. Não se trata apenas de uma adaptação de linguagem, é muito mais que isso, é a porta da inclusão que se abre e permite a transformação de vidas.

Hoje, concursos públicos ou mesmo vestibulares oferecem a prova no sistema de Libras, o que possibilita que os surdos tenham acesso à universidade e ao mercado de trabalho. Nessas provas existem também vagas reservadas a esse público. No entanto, os desafios da inclusão são ainda maiores. As mudanças devem vir desde a base, isto é, na creche, nas séries iniciais, ainda quando as crianças tiverem o primeiro contato com a educação. Somente assim, um brasileirinho ou uma brasileirinha com surdez poderá se desenvolver e competir igualmente com os demais. Enquanto pouco compreenderem e pouco forem compreendidos, a inclusão não está sendo suficiente.

Profissionais que lidam com a educação, como professores e psicopedagogos, precisam dominar as Libras, bem como encorajar que cada vez mais crianças não deficientes possam aprender essa nova maneira de se comunicar. As crianças vão compor o Brasil de amanhã. Profissionais da saúde, como médicos, fonoaudiólogos e até mesmo psicólogos também são essenciais nesse âmbito de inclusão. Uma equipe multiprofissional precisa estar apta a atender as demandas dessas pessoas, que sofrem pela dificuldade de comunicação e de se inserir nos meios sociais e até mesmo eventualmente bullying pela sua condição.

Aos governantes fica o dever de oferecer cursos de reciclagem e aperfeiçoamento aos profissionais da educação bem como incentivar que os estabelecimentos públicos e privados ofereçam condições de atendimento desse público com base nas Libras. Adam Smith, o pai do Liberalismo Econômico, sempre deixou claro que a riqueza de uma nação não está contida na riqueza de seus príncipes, mas sim na riqueza de seu povo. Assim, para o Brasil crescer e o povo brasileiro desenvolver seus potenciais faz-se necessárias mudanças, que passam obrigatoriamente pela inclusão social das minorias. Oferecer acessibilidade é garantir mais justiça e igualdade, eixos de uma sociedade democrática.